Autor: Maria Julia Ladeira Dias

  • Descortinando o poder e a violência nas relações de gênero

    Descortinando o poder e a violência nas relações de gênero

    Meus 30 anos de ativismo em defesa e promoção das mulheres se deu com muitas experiências e muita capacitação para lidar da melhor forma com atendimentos, acolhimentos, busca de avanços, luta contra retrocessos, iniciativas práticas e o fortalecimento do nosso propósito de transformar a vida das mulheres, para melhorar todas as vidas.

    Me preparei bastante para estar onde estou. Além da experiência adquirida ao trabalhar e contribuir para a criação de serviços voltados à proteção e promoção dos direitos das mulheres em Uberlândia, no meio acadêmico, antes do doutorado, apresentei em 1998 minha dissertação do mestrado, ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo (USP).

    Com nota máxima e recomendado para publicação, o material foi orientado pela brilhante Prof.ª Dr.ª Esmeralda Blanco Bolsonaro de Moura (USP-SP), que aprovou na banca examinadora juntamente com a Prof.ª Dr.ª Maria Izilda Matos (PUC-SP) e Prof.ª Dr.ª Eni de Mesquita Samara (USP-SP), destacando o esforço pela pesquisa realizada, a importância da temática e a riqueza da análise.

    Com o objetivo de descrever, quantificar e analisar as relações de gênero violentas, e buscando entender como elas se formam e os mecanismos que sustentam, mantêm e reproduzem tais dinâmicas, explorei as complexas interações e tensões dentro dos relacionamentos, assim como o dia a dia nos órgãos de atendimento, onde se manifestam as situações de violência, as reclamações e os resultados.

    Te convido a conhecer esse amplo e rico material, que norteia muitas das minhas ações como ativista, buscando sempre uma escuta ativa e sem julgamentos, focada em romper ciclos/aspirais de violência.

    O material pode ser usado como referência para produções acadêmicas, respeitada a menção, dando o devido crédito.

    ‎https://drive.google.com/file/d/18GQ3svri_979pnnQGNPGrQz9tdz2TS6Y/view?usp=sharing

    Vereadora Cláudia Guerra

    19 de dezembro de 2024

  • Da Lagarta à borboleta: ações pelo fim das violências nas relações familiares

    Da Lagarta à borboleta: ações pelo fim das violências nas relações familiares

    “Borboletas me convidaram a elas. O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu. Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas. […]. Eu penso renovar o homem usando borboletas.” (Manoel de Barros)

    Uma produção organizada por Cláudia Costa Guerra, Gercina Santana Morais e Simone Rodrigues Neves, proposta como forma de compartilhar a produção de conhecimento de pesquisadores e pesquisadoras, que, direta ou indiretamente, estiveram envolvidos com a SOS Mulher e Família — hoje SOS Mulheres, desenvolvendo trabalhos voltados ao cuidado das mulheres e seus familiares, vítimas de violências em seus diversos contextos.

    A imagem da borboleta é amplamente divulgada em diversas culturas. Figura leve, ligeira e cheia de graça, colore os espaços do nosso imaginário. Símbolo de renascimento presente na natureza, nos remete a sua origem “lagarta”, ser rastejante. A metamorfose nos convida a reflexão sobre o processo da transformação e suas fases de estagnação e atividade; mobilidade e resistência. Nesse processo vale lembrar do lugar indispensável para o espaço entre o “vir a ser” e o tempo necessário de amadurecimento para que o novo ser rompa o invólucro e alcance os ares, em novo estágio do desenvolvimento. Importante considerar que nessa fase de transição, o futuro é imprevisível; e o cuidado e a proteção, fornecidos pelo casulo, tornam-se fundamentais diante das ameaças ambientais e do futuro incerto.

    A SOS Mulher Família — hoje SOS Mulheres, organização da sociedade civil base para a obra, carrega desde a sua constituição, em 1997, a imagem referência da borboleta em sua identidade visual. A instituição busca oferecer às mulheres, em situação de violências, espaço de cuidado, fortalecimento e proteção, para que consigam encontrar recursos internos e apoio da rede de enfrentamento à violência, para transformarem a sua trajetória. O objetivo é intervir de modo qualificado, interdisciplinar e por meio de serviços gratuitos em casos que exigem a desnaturalização e desconstrução das relações marcadamente violentas, no âmbito de gênero, conjugal e familiar, com vistas a despertar nas pessoas atendidas o estabelecimento de novas estratégias de lidar com conflitos que se pautem pelo respeito e estejam baseadas na perspectiva de referendar-se na paz e no diálogo.

    A versão digital do livro está disponível gratuitamente pelo site da Editora Pimenta Cultural. Faça o download e tenha uma boa leitura!
    www.pimentacultural.com/livro/lagarta-borboleta

    Equipe Vereadora Cláudia Guerra

    19 de dezembro de 2024

  • Climatério: o que não me contaram e gostaria de ter sabido

    Climatério: o que não me contaram e gostaria de ter sabido

    Por Cláudia Guerra

    A cada nova fase da vida, outra face para as mulheres. Vivemos mais, e pelo menos um terço dessa existência pode ser vivido no climatério, o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva das mulheres. Sem generalizar, compartilho a experiência de um corpo em transformação, que expurga pelos poros e grita a partir do útero.

    O que não me contaram sobre o climatério e eu adoraria ter sabido antes de vivenciar essa mudança: acredito que um coletivo de mulheres poderia ajudar muitas a passarem por esse momento com uma perspectiva de autoconhecimento e trocas de desafios e potências.

    Durante o puerpério, a fase é intensa. O bebê cresce e caminha para autonomia, mas a mistura de amor, cansaço e desânimo é inevitável. No entanto, a “servidão voluntária” da maternidade não idealizada diminui aos poucos. E, mesmo com a divisão de tarefas e cuidados, como no meu caso, a exaustão é real.

    Já no climatério, que varia muito de mulher para mulher, vamos envelhecendo e ajustando nossa autonomia. A cabeça e o corpo parecem não caminhar mais juntos, e há uma estranha disritmia. Começo a pensar se, na verdade, não era só uma impressão sublimada de que eles um dia estiveram em perfeita sincronia.

    Para as que estão entrando nos “entas”, aqui vai um conselho: evitem casas com escadas, pisos escorregadios e móveis com quinas afiadas. Travesseiros de corpo para dormir de lado e cadeiras que apoiam bem a coluna e os pés no chão também são um grande alívio. Se possível, instale suportes no box do banheiro e evite tapetes felpudos e cortinas pesadas. Ventilador e  ar-condicionado na cozinha e no quarto podem ser essenciais para lidar com os famosos “fogachos” — ondas de calor que afetam 75% das mulheres no climatério.

    Medicamentos fitoterápicos, florais, óleos, mais naturais, com orientação de nutricionista, podem auxiliar o intestino que funcionava e de repente ficou preso, bem como o quadro geral. Para mim, não foram suficientes.

    Sim, o sono também é afetado. Muitas de nós começamos a usar protetores de ouvido para silenciar o ronco do “kit marido” e lidar com espasmos noturnos, acompanhados de susto. O calor, aliado à insônia, pode transformar a cama em uma luta constante. Um colchão maior pode ajudar o casal!

    Além dos sintomas clássicos, o climatério traz alergias e artrites. As mulheres são as mais acometidas por essas condições após os 40 anos. Também descobrimos que nossas mãos não são mais tão firmes para colocar linhas nas agulhas. Então, invista em óculos leves e multifocais para facilitar a vida, mas prepare-se: o cérebro pode demorar cerca de trinta dias para se acostumar com eles.

    Outro detalhe: cabelos. Eles vão cair. E essa perda de volume vai te fazer repensar o uso de química neles. E, por mais que pareça bobagem, o uso de protetor solar e hidratante corporal se torna indispensável para prevenir o ressecamento, as manchas e a coceira. A pele resseca de dentro para fora, e a prevenção é mais barata do que a cura. Mocinha, agora você pode achar bobagem, mas besunte hidratante no corpo todinho. Passe na curva da região sacral, entre os glúteos também. Aí pode até descascar pela secura, nessa fase.

    Para o cuidado íntimo, comece a usar cremes específicos para hidratação vaginal. A secura vaginal afeta cerca de 50% das mulheres na pós-menopausa, e o uso de lubrificantes à base de água é fundamental para a sexualidade. Exercícios como o pompoarismo fortalecem a musculatura pélvica, proporcionando mais conforto nas relações sexuais. Além disso, para aquelas que preferem métodos mais naturais, o uso de maca peruana tem sido associado ao fortalecimento muscular.

    Sejamos “flanelinha” e contemos ao parceiro como curtimos nossa viagem corporal. Não somos feitas no atacado. Algumas de nós recorremos ao orgasmo faz de conta. Mas, quem nunca? Mas, se tiver intimidade com o parceiro, diga que não rolou naquele dia e tudo bem. Se não tiver esse nível de cumplicidade, talvez fingir seja menos trabalhoso que discutir a relação toda vez. Cada uma de nós com seu tempo interno, valores e o estilo de relacionamento, caso estejamos em um, e fazendo escolhas.

    Passar delineador abaixo dos olhos pode passar a borrar com a flacidez da pele pela perda de colágeno e com as rugas adquiridas, marcas inevitáveis do tempo vivido. Alguns cílios irão crescer para dentro do olho e um espelho que aumente, em dez vezes, para enxergá-los e retirar, vai auxiliar.

    Se você pensa em fazer depilação a laser, faça isso antes dos pêlos ficarem brancos, pois o laser não remove os fios grisalhos. E, caso tenha condições e opte por procedimentos estéticos como botox, procure profissionais que preservem suas expressões naturais, apenas suavizando sinais de cansaço. Afinal, o objetivo é nos sentirmos bem com quem somos.

    Medo e culpa paralisam. E a libertação dessa carga é uma das conquistas dessa fase. Respirar profundamente, com o diafragma, é uma técnica que nos ajuda a lidar com a ansiedade, taquicardia e até ataques de pânico, comuns em mulheres no climatério. Respire e não pire!

    A boa notícia é que a idade traz consigo a incrível potência de nos arriscarmos mais, de viver com mais leveza e de nos libertarmos das opiniões alheias. E para algumas, a reposição hormonal, quando indicada, pode melhorar muito a qualidade de vida, reduzindo sintomas como ondas de calor, insônia, falta de libido e ajudando na saúde óssea.

    No fim das contas, a melhor parte de tudo isso é a liberdade que vem com o envelhecimento. Saber quem sou e os propósitos que me movem me dá uma sensação de plenitude e energia que eu nunca imaginei.
    Viva o climatério, com todas as suas nuances! 🥄

    ______

    *Cláudia Guerra, 55 anos, no climatério/menopausa, mãe de dois jovens, casada há 25 anos. Ativista voluntária e fundadora da SOS Mulheres, Conselho Direitos das Mulheres e do Núcleo Estudos de Gênero, desde anos 90. Profa. Dra. em História sobre violência conjugal. Vereadora (2021-2024) que implantou a Procuradoria da Mulher, sendo sua primeira presidente, na Câmara de Uberlândia.

  • Festival de Dança do Triângulo é reconhecido como patrimônio imaterial de Uberlândia

    Festival de Dança do Triângulo é reconhecido como patrimônio imaterial de Uberlândia

    Foto: Ana Karine Fernandes.


    O projeto de lei do mandato da Vereadora Cláudia Guerra, relacionado ao Festival de Dança do Triângulo, foi aprovado por unanimidade nas duas votações na Câmara de Vereadores(as) e aguarda sanção do prefeito. Construída de forma colaborativa com agentes culturais da nossa cidade, a proposição de reconhecimento como patrimônio imaterial, evidencia o impacto do festival para Uberlândia e região, gerando empregos diretos e indiretos, promovendo não só a cultura, mas também a economia e o turismo.


    O Festival de Dança do Triângulo é um tradicional evento que ocorre anualmente em Uberlândia, lamentavelmente interrompido por um pequeno período, devido à crise sanitária provocada pelo coronavírus. Foi retomado em 2023, envolvendo amantes da cultura, com apresentações brilhantes relacionadas à dança, música, escrita e outras atividades que encantam todo o público.   


    Não há como falar de cultura em nosso município sem fazer menção ao Festival de Dança do Triângulo, que leva o nome da nossa cidade para todo o cenário da arte nacional e internacional. Além da notoriedade cultural, o evento movimenta todo o setor de hotelaria e restaurantes da nossa cidade. Uberlândia se torna palco dos(as) melhores bailarinos(as) e coreógrafos(as), com uma programação que celebra a cultura e proporciona momentos inesquecíveis para os(as) espectadores(as).


    O festival completa 30 anos em 2024. Cláudia destinou recursos de emenda impositiva através do seu mandato, para apoiar a realização desta edição e também da edição anterior. A Associação dos Profissionais de Dança de Uberlândia (APDU), realiza um trabalho lindo de valorização cultural da dança e de preservação da memória afetiva do festival e de toda classe artística da cidade. Promove outros grandes eventos e ações, dando destaque e abrindo espaço para o desenvolvimento dos muitos talentos da nossa querida Uberlândia.


    O processo de registro também está em andamento junto a órgãos culturais de Uberlândia, um próximo passo de valorização do evento, com apoio do mandato da vereadora Cláudia Guerra. A 30ª edição acontece entre 21 e 28 de julho. Acompanhem o perfil do festival no Instagram e fiquem por dentro de toda a programação e mais informações.


    Imagem: Divulgação Festival de Dança do Triângulo.

    Guilherme Rocha – Assessor Parlamentar

    28 de junho de 2024